Arquivo mensal: Maio 2015

Medo de Perder o Controle

O medo de perder o controlo sobre si mesmo é muito frequente em pessoas que sofrem de ansiedade e ataque de pânico e pode originar agorafobia.

Trata-se do medo ou mesmo fobia de, quando está com outras pessoas, não ser capaz de se controlar e fazer alguma coisa que o envergonhe como enervar-se, dizer coisas que não quer, desmaiar, ou vomitar.

Quando se sobre de ataques de pânico o medo toma conta de nós e muda toda a nossa vida. Muitas vezes a pessoa tem medo de fazer coisas estranhas ao pé dos amigos ou família e está sempre a pensar nas suas palavras ou gestos.  Acaba por fazer uma estimulação excessiva do seu sistema nervoso o que vai provocar alterações no seu pensamento, como o medo de perder o controle.

Para lidar com este medo, deve mentalizar-se que é uma “ilusão” do sistema nervoso, e que, quando lhe der algum descanso, este medo vai desaparecer. Deve evitar concentrar-se no medo de fazer alguma coisa errada e anormal e simplesmente agir naturalmente.

Não se foque neste medo! Não vai perder o controle sobre o seu corpo! Não vai enlouquecer nem fazer nada disparatado em frente a outras pessoas. É só a sua ansiedade a falar por si.. Tente distrair-se ou concentrar-se em outras coisas que o façam sentir bem. Não se isole!

Despersonalização – O que é?

A despersonalização é um dos sintomas mais estranhos e perturbadores que ocorre durante o ataque de pânico. Muitas vezes as pessoas sentem mas não sabem o que é, pensam simplesmente que estão a ficar loucos.

A despersonalização caracteriza-se por a pessoa sentir que a sua existência não é real, nem o mundo que a rodeia, como se estivesse num universo paralelo, como se tudo à sua volta estivesse muito distante. Geralmente a pessoa sente-se surreal e muito tonta, pensando que vai enlouquecer a qualquer momento. Tudo isto não passa de uma ilusão causado pelo pânico.

O sentimento de se encontrar fora do contacto com o mundo é ainda mais forte quando começa a ver tudo o que o rodeia mais claro e brilhante. Estes aspetos são muitas vezes referidos por pessoas que sobrem de ansiedade e ataques de pânico.  Tudo isto é provocado pela hiper-estimulação do sistema nervoso devido ao elevado grau de ansiedade que a pessoa está a experimentar. O sistema nervoso está ligado de várias formas ao seu corpo e a sua estimulação excessiva produz efeitos físicos e mentais que se assemelham aos provocados pelo consumo de drogas psicoactivas.

Estes sintomas só vão desaparecer quando se conseguir acalmar, estimulando de uma forma mais reduzida o sistema nervoso  e permitindo que este mande menos impulsos para o seu corpo. Deve falar nestes sintomas ao seu médico, pois também podem ser provocados por certos medicamentos, como alguns antidepressivos.

É importante saber que estes sintomas não o vão deixar louco, nem alterar a sua personalidade. Muitas vezes ajuda falar com outras pessoas que sentiram o mesmo! Deixe aqui o seu testemunho.

Ataques de Pânico e Desmaios

A ansiedade pode ser responsável pelo aparecimento de diversos sintomas muito incomodativos e que transtornam em muito a vida das pessoas. A sensação de desmaio é uma das mais aflitivas. Para quem sofre de ataques de pânico este sintoma toma uma dimensão ainda mais assustadora.

Geralmente a pessoa começa por sentir a cabeça muito leve, com tonturas e até pode parecer que o chão se está a mover.  Todas estas sensações são provocadas pela libertação de noradrenalina no sangue durante períodos de grande tensão ou medo.

Durante os ataques de pânico é muito frequente existir a sensação de desmaio, sentindo que está a “sair de si mesmo”  e que não se consegue concentrar em nada. Esta sensação é muito assustadora, o que lhe vai provocar ainda mais pânico, parecendo que não tem fim.

O que deve fazer é tentar mentalizar-se que durante um ataque de pânico é praticamente impossível desmaiar. Devido à ansiedade que está a sentir a sua tensão arterial vai aumentar, o que o impede de desmaiar.

Para uma recuperação mais rápida e eficaz procure focar-se na sua respiração. Coloque as mãos atrás da nuca entrelaçando os dedos e afastando os cotovelos para trás. Em seguida expire e inspire contado mentalmente de 1 até 4 (para a inspiração e para a expiração). Além de repor os níveis de dióxido de carbono no sangue, esta técnica ajuda a que de abstraia do que está a sentir, diminuindo assim o pânico e permitindo a recuperação do corpo.

É importante referir que, se sente frequentemente tonturas ou sensação de desmaio, deve consultar o seu médico para fazer o despiste de algumas patologias.

 

 

Ansiedade e palpitações

Se sobre de ansiedade e começou a sentir palpitações/arritmias, saiba que não é o único! A sensação de aperto ou dor no peito pode tornar-se muito perturbadora, principalmente quando ocorre durante um ataque de pânico. Como os seus níveis de ansiedade se encontram descontrolados vai imediatamente pensar que vai sofrer um ataque cardíaco. Isto não é verdade!

As sensações relacionadas com o coração que podem ser provocados pela ansiedade são várias:

  • Aperto no peito
  • Dor na zona do peito ou costas
  • Sentir os músculos do peito apertados
  • Pulsação muito rápida
  • Palpitações ou arritmias (batimento irregular, as vezes parece que falta uma batida e o coração vai parar)
  • Sensação de desmaio eminente
  • Tonturas
  • Dormência nos braços

Ao experienciar estes sintomas pode sentir um medo descontrolado, o que provoca um ataque de pânico.  Tem de se consciencializar (embora ás vezes seja bastante difícil) que todos estes sintomas estão a ser causados pela ansiedade desmedida e não por um ataque cardíaco. A explicação é até bastante simples: a resposta hormonal e a adrenalina libertadas na corrente sanguínea quando os níveis de ansiedade aumentam, podem provocar todos estes sintomas. A dor no peito, por exemplo, não tem a ver com o músculo cardíaco, mas sim com os músculos entre as suas costelas, que se encontram contraídos.

Existem alguns comportamentos que pode adoptar para minimizar estes sintomas:

  • Pratique exercício físico regularmente – o exercício físico vai ajudar a que se adapte a um ritmo cardíaco mais acelarado e a que este não lhe provoque tanta ansiedade. Deve começar de forma gradual para se adaptar
  • Pratique exercícios de relaxamento – Saber relaxar vai ajudar a que se mantenha mais calmo perante estas situações e que as ultrapasse de forma mais rápida.
  • Não consuma estimulantes – O café, as bebidas energéticas, o tabaco ou os alimentos com muito açúcar podem aumentar o seu ritmo cardíaco e provocar os sintomas que referimos a cima.

Efeitos dos antidepressivos

Cerca de 25% da população portuguesa toma ou já tomou medicamentos antidepressivos. O consumo desta medicação tem tendência para aumentar de ano para ano, no entanto as pessoas não estão bem informadas sobre os seus efeitos. Existem muitas dúvidas na população e também diversos mitos que têm de ser esclarecidos. Ficam aqui a resposta a algumas questões que o vão esclarecer acerca dos efeitos dos antidepressivos no seu corpo.

Os antidepressivos dão sono?  – Nem todos. Existem antidepressivos com um efeito sedativo, mas a maior parte não tem este efeito secundário. O que acontece é que muitas vezes juntamente com os antidepressivos a pessoa está medicada com ansiolíticos (calmantes) e estes sim, dão sono.

Os antidepressivos engordam? – Mais uma vez depende do antidepressivo que está a tomar. Mas sim, é verdade, alguns antidepressivos têm como efeito secundário o aumento de apetite e consequente ganho de peso. Deve tentar controlar o apetite e manter uma dieta saudável.

Quem toma antidepressivos tem o desejo sexual diminuído?  – Na maioria dos casos é verdade. O mecanismo de ação destes medicamentos geralmente inibe ou reduz o desejo sexual, principalmente nos primeiros meses de tratamento.

Os antidepressivos criam dependência? – Esta é uma questão muito polémica. A forma como funcionam, implica que os antidepressivos não causem dependência, ao contrário dos ansiolíticos. No entanto, quando reduzir a dose ou pretender deixar de tomar o antidepressivo tem que consultar o seu médico. Se deixar de o tomar de forma abrupta pode sofrer diversas efeitos secundários que lhe provocaram muito transtorno físico e mental.

Tomar antidepressivos altera a personalidade? É mentira! Os antidepressivos não mudam a sua personalidade, apenas ajudam a controlar os sintomas depressivos (isolamento, tristeza, etc) para que a pessoa seja capaz de ultrapassar a sua doença. Não vai sofrer nenhuma alteração da personalidade durante o consumo destes medicamentos nem quando deixar de os tomar.

Procure informar-se sobre os efeitos secundários especifico dos antidepressivos que está a tomar ou deixe-nos as suas dúvidas.

 

Ansiedade Generalizada

O Transtorno de Ansiedade Generalizada é um sub-tipo de ansiedade em que o principal sintoma é a preocupação excessiva e continuada. Esta ansiedade é menos intensa do que num ataque de pânico, mas muito mais duradoura, tornando a vida da pessoa muito difícil.

A preocupação sentida pelas pessoas que sofrem desta patologia é muito superior ao que era suposto ser causada pelo impacto do evento temido. A preocupação pode centrar-se na sua saúde, finanças, responsabilidades do trabalho, segurança dos filhos ou até mesmo estar atrasado para os compromissos.

Esta preocupação é difícil de controlar e interfere com as tarefas do dia a dia, provocando sintomas físicos como:

  •  tensão muscular
  • dores de cabeça
  • micção frequente
  • dificuldade em engolir
  • sobressalto constante
  • incapacidade de relaxar
  • dificuldade em concentrar-se

Para além dos sintomas físicos, existem também diversos sintomas psicológicos que se tornam muito perturbadores:

  • Preocupações constantes correndo na sua cabeça
  • Sente-se como se a sua ansiedade fosse incontrolável
  • Não consegue parar de pensar no que o preocupa
  • Tem uma necessidade enorme de saber o que vai acontecer no futuro
  •  Sente constantemente apreensão ou temor

Este transtorno torna-se fisicamente e psicologicamente muito cansativos para a pessoa. O facto de o seu corpo estar sempre em constante alerta, prejudica a sua saúde física e mental.

É possível ultrapassar este transtorno e sentir-se de novo bem com a sua vida. É importante entender o que alimenta a sua preocupação, analisando as suas crenças, medos, receios, sentimentos e pensamentos negativos. Na maior parte das vezes a preocupação é improdutiva, esgota a sua energia mental e emocional, sem surtir em qualquer resolução de problemas concretos,. Procure ajuda médica numa fase inicial da doença para que consiga recuperar mais facilmente.

Exercício respiratório para diminuir os sintomas da ansiedade

Muitas mudanças acontecem no seu corpo quando você fica ansioso. Uma das primeiras alterações é a forma como respira. A hiperventilação provoca um desequilíbrio de oxigénio e dióxido de carbono no seu corpo, provocando sintomas físicos de ansiedade adicionais, tais como tonturas, sensação de sufocamento, aumento da frequência cardíaca e tensão muscular, sintomas estes que promovem o disparo de um ataque de pânico.
Aprendendo a respirar de forma mais lenta e pausada pode ajudar novamente a controlar os seus sintomas físicos da ansiedade, sentidos em ambientes sociais.

Exemplo de um exercício respiratório que ajudará a diminuir os sintomas físicos da ansiedade e a manter a calma:

  • Deve sentar-se confortavelmente com as costas direitas e os ombros relaxados. Coloque uma mão no seu peito e outra no seu estômago.
  • Inspire devagar e profundamente através do seu nariz durante 4 segundos. A mão no seu estômago deverá subir, enquanto a mão que está no peito deverá mexer-se muito pouco.
  • Expire lentamente pela boca durante 6 segundos, deitando fora tanto ar quanto conseguir. A mão no seu estômago deverá mover-se enquanto dei- ta fora o ar, mas a outra mão deverá mexer-se muito pouco.
  • Continue a respirar pelo nariz e pela boca. Foque-se na manutenção de um padrão de respiração lento e profundo de 4-inspirar, 2-suster, e 6 ex- pirar.

Pratique este exercício várias vezes por dia.

O que é a hiperventilação?

A hiperventilação é o aumento da quantidade de ar nos pulmões, isto deve-se pelo aumento da frequência ou intensidade da respiração. Uma das causas mais frequentes dos sintomas da ansiedade é a hiperventilação.

Porque a hiperventilação produz sintomas?

A consequência da hiperventilação é a hipocapnia, isto é, a diminuição da quantidade de dióxido de carbono dissolvido no sangue. Com uma quantidade menor de dióxido de carbono no sangue,  o pH do sangue aumenta, deixando-o alcalino.

Os principais sintomas causados pela hiperventilação são:

Sensação de estar a flutuar, tonturas, vertigens ou desmaios, dores no peito, formigueiros, taquicardia, palpitações, sensação de falta de ar, náuseas, dores abdominais, dores musculares, tremores, medo, fadiga, fraqueza, etc.

Como aliviar os sintomas?

Deve repousar e contar até 100 várias vezes , respirando apenas no intervalo entre as contagens, ou então respirar para dentro de um saco. Qualquer uma destas técnicas irá ajudar a repor os níveis de dióxido de carbono, fazendo desaparecer os sintomas.

Tente também praticar a respiração abdominal.

Sintomas da Depressão

Uma em 4 pessoas no mundo já sofreram, sobrem ou vão sofrer de depressão.  A depressão tem se manifestado cada vez mais na população e é fundamental pedir ajuda. A depressão tem cura!

Existem certos sintomas que podem alertar para o surgirmento de uma depressão. Entre ales encontram-se:

  • Tristeza mais marcada e choro fácil
  • Perda de interesse pelas atividades que gostava
  • Sentir mais ansiedade que é normal em si, por situações que não lhe causavam nervosismo
  • Sentir culpa por tudo de mal que acontece à sua volta
  • Dificuldade em adormecer ou manter um sono repousante
  • Alterações no apetite: pode surgir falta de apetite ou aumento do mesmo (parece que nunca está saciado)
  • Dores musculares, principalmente nas costas, que não passam com medicação (sim, a depressão DOI!)

O reconhecimento dos sintomas na fase inicial da doença podem ajudar a que a mesma possa ser ultrapassada muito facilmente. Deve procurar tratamento especializado. Não esconda os sintomas, não se isole!

 

Ataques de pânico e hipocondria

O transtorno do pânico é caracterizado por crises súbitas frequentemente incapacitantes e recorrentes.

Os sintomas físicos de uma crise de pânico aparecem subitamente, sem causas aparentes ou por meio de ansiedade excessiva. Muitos destes sintomas fazem-nos acreditar que padecemos de outra doença. Um exemplo disso, é o batimento cardíaco elevado e o aperto no peito que se sente durante um ataque de pânico, que pode confundir-se com um enfarte.
(Vejam este artigo sobre as diferenças entre a dor cardíaca e a dor provocada pela ansiedade) .

Confusões destas são recorrentes em pessoas que sofrem de transtorno de pânico, o que as leva muitas vezes a tornarem-se hipocondriacas e posteriormente agravarem o seu quadro de ansiedade.

Como saber se é hipocondriaco, quais os sinais de alerta?

Ser saudável mas acreditar estar doente: o medo e a crença absoluta.

Um dos primeiros sinais surge quando uma pessoa dita saudável se preocupa, em demasia, com sintomas menores e, quando procura um médico, acaba por desvalorizar a sua opinião.

As idas e vindas entre médicos e especialistas pautam o dia-a-dia dos hipocondriacos. Desde marcação de consultas, pedidos incessantes e exagerados de exames, demonstração de interesse por assuntos médicos, rejeição de opiniões e diagnósticos, leitura e aprendizagem cuidada sobre medicamentos, tudo acaba por se encontrar ao serviço de uma única missão: corroborar o sentimento de que se está gravemente doente.

Um hipocondríaco identifica-se com qualquer doença.

… Aprofundaremos mais este tema em outro artigo. Até lá mantenha-se calmo.